sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ele nasceu!










"Ele nasceu!!"

Gritei aos quatro cantos, aclamando sua chegada. Sorri, dancei, fiz festa no berçário. Nascia cheio de vida, cheio de vias. Saúde, amor e tudo de melhor foi a ele desejado. Rosto rosado, grito estridente e uma esperança renovada pelas ondas oscilantes que sussurravam aos meus ouvidos: esse será o maior, o melhor.

Gosto borbulhante de Champagne, coração soltando fogos, pedidos disfarçados de sonhos; tudo permeava. A garantia e a vibração me emocionavam. Quando me vi, acreditei naquele pequeno. Tanto acreditei que me esqueci de quem ficou, do outro lado, do lado de fora, com a cara cheia de rugas colada no vidro. O ancião me observava, tentando chamar um pouquinho que fosse da minha atenção tão diretamente focada e indesviável para o pupilo rosado. Cambaleante deu-me tchau, ignorei-o, fingi que não conhecia e passei reto como se fosse tudo uma ilusão.

Até que ponto o despedir de um corpo seria borrado pelo brilho de um novo olho que se abria para o mundo? Virei-me novamente, consegui ainda vê-lo, guardei meu sorriso “embasbacado” e deixei minha lágrima acumulada rolar por meu rosto já molhado de Champagne. Sua imagem, guardei em um velho diário, tranquei-o, transformei-o em memória tombada, já segurando o garotinho no colo que a essa altura bebia minha lágrima como se fosse o mais puro leite materno. Sem chorar a partida sombreada, percebi que não havia volta, porque a chegada fora uma mera criação e eis que tudo não passara de momentos sobrepostos.

O amor poderia se chamar Reveillon, assim quem sabe a dor seria apenas uma passagem e a saudade, uma velha companheira, sombreada, indolor, tombada como Patrimônio histórico da humana idade.

Por ArteFacto

Um comentário:

Gaby disse...

No words to express!
I simply loved it!!